COMPANHEIROS DE JESUS
Bem vindos à seção do GT "Companheiros de Jesus"!
O GT “Companheiros de Jesus” é formado por estudantes do curso de letras da Universidade Federal de Sergipe-UFS, campus de Itabaiana, participantes do projeto "O Uso do blog como ferramenta à produção e divulgação de conteúdos literários". O nome do grupo é uma referência à Companhia de Jesus, a ordem dos padres jesuítas, fundada em 1534 por Inácio de Loyola, e ao seu protagonismo na missão civilizatória que teve lugar no Brasil, nos primórdios da colonização portuguesa. Contamos com a sua interlocução e, desde já, agradecemos o compartilhamento das nossas produções.

GRUPO DE TRABALHO

Anieli Resende Bizarria

Fagner Bispo dos Santos

Isael Rodrigues Ribeiro

Roberta Maria N. Neri
NOSSAS PRODUÇÕES
Abaixo, disponibilizamos links para os nossos vídeos, divididos em duas partes: na primeira, encontram-se videoaulas sobre o Padre jesuíta Manuel da Nóbrega e sua importância decisiva ao estabelecimento da missão jesuítica nos primórdios do Brasil colônia; e, na segunda, vídeos contendo uma leitura dramatizada de exemplares das três principais vertentes da obra do poeta barroco baiano Gregório de Matos Guerra.

LEITURAS COMPARTILHADAS
Aqui você encontra o link para vídeos contendo comentários e performances de poemas das principais vertentes temáticas dam obra do poeta Barroco baiano Gregório de Matos Guerra

Sátira a um desembargador
que prendeu um inocente
e soltou um ladrão
Senhor Doutor, muito bem-vindo seja
A esta mofina e mísera cidade,
Sua justiça agora e equidade,
E letras com que a todos causa inveja.
Seja muito bem-vindo, porque veja
O maior disparate e iniquidade,
Que se tem feito em uma e outra idade
Desde que há tribunais e quem os reja.
Que me há de suceder nestas montanhas
Com um ministro em leis tão pouco visto,
Como previsto em trampas e maranhas?
É ministro de império, mero e misto,
Tão Pilatos no corpo e nas entranhas,
Que solta a um Barrabás e prende a um Cristo.
O poeta muda o soneto pela terceira vez.
Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo claramente
Na vossa ardente vista o sol ardente,
E na rosada face a Aurora fria.
Enquanto pois produz, enquanto cria
Essa esfera gentil, mina excelente
No cabelo o metal mais reluzente,
E na boca a mais fina pedraria.
Gozai, gozai da flor da formosura,
Antes que o frio da madura idade
Tronco deixe despido, o que é verdura.
Que passado o zenith da mocidade,
Sem a noite encontrar da sepultura,
É cada dia ocaso da beldade.
Inconstância dos bens do mundo
Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Contemplando nas cousas do mundo
Neste mundo é mais rico, o que mais rapa: Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.
Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.
A flor baixa se inculca por Tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais isento se mostra, o que mais chupa.
Para a tropa do trapo vazo a tripa,
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.





